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30 de junho de 2012
Portugal, um caso de desastre periférico (video)
Parte de intervenção efetuada quando da presença de Yorgos Mitralias em Lisboa
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4 de maio de 2012
A dívida total portuguesa – canibalização de um povo
Sumário:
1 - O endividamento da economia portuguesa
2 - Endividamento das empresas não financeiras
3 - Endividamento das sociedades financeiras
4 - Endividamento das administrações públicas
5 - Endividamento dos particulares
6 – Os direitos de crédito do exterior sobre a sociedade portuguesa
7 – Resumo da evolução dos vários tipos de passivos em cada agregado económico
8 - Tipos de responsabilidades por agregado económico
http://www.slideshare.net/durgarrai/a-dvida-portuguesa-total-canibalizao-de-um-povo
Estes e outros textos em:
http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1
http://www.slideshare.net/durgarrai/documents
http://grazia-tanta.blogspot.com/
1 - O endividamento da economia portuguesa
2 - Endividamento das empresas não financeiras
3 - Endividamento das sociedades financeiras
4 - Endividamento das administrações públicas
5 - Endividamento dos particulares
6 – Os direitos de crédito do exterior sobre a sociedade portuguesa
7 – Resumo da evolução dos vários tipos de passivos em cada agregado económico
8 - Tipos de responsabilidades por agregado económico
http://www.slideshare.net/durgarrai/a-dvida-portuguesa-total-canibalizao-de-um-povo
Estes e outros textos em:
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21 de março de 2012
O endividamento dos estudantes, um caso de financiarização da vida
2 - Para quem é o negócio?
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1 - O patrocínio da ideia
Em agosto de 2007, para aplicação no ano seguinte Sócrates, sorridente, anunciava que os estudantes universitários teriam disponível um crédito pessoal até € 25000, sem garantia pessoal ou patrimonial e com taxas mais baixas para alunos com melhores notas. Tudo no âmbito da criação de “mais condições de justiça social e igualdade de oportunidades" como disse o então primeiro-ministro (1).
O Estado iria criar um fundo de garantia (a SPGM - Sociedade de Investimento é entidade que gere o Sistema de Garantia Mútua) para cobrir eventuais incumprimentos dos estudantes. O Estado dotaria o fundo com meios que poderão atingir os € 4 M por ano, admitindo que esses incumprimentos para com a incontornável banca poderiam atingir 10% dos empréstimos; que, nesse contexto estariam avaliados em cerca de € 40 M.
"Não se trata de substituir a acção social escolar, é algo mais” disse Sócrates (1); e, tem razão, dizemos nós, trata-se da financiarização do acesso ao ensino superior. Por outro lado, essa financiarização iria garantir a continuidade dos estudos de muitos estudantes, aliviaria a pressão sobre os fundos da ação social escolar, dando ao governo a oportunidade de alegrar a plebe declarando, na ocasião, repetidas vezes, que não haveria aumento de propinas.
Como é sabido, a financiarização das várias atividades, da satisfação de necessidades através da inserção das pessoas na dependência duradoura da banca é uma estratégia do próprio sistema financeiro. No que respeita aos estudantes, estes, logo na sua entrada no ensino superior, que mais ou menos coincide com a maioridade, são cortejados com vantagens oferecidas pelos bancos que, começam desde logo a querer monitorar os seus consumos, lugares que frequentam e momentos de movimentação da conta, para melhor adestrarem as suas teias em torno das pessoas, estabelecer campanhas publicitárias, etc.
Como se tornou agora, claro, os bancos têm pés de barro, embora isso não se denote na observação das suas portentosas sedes nem, no carácter arrumado e assético das suas instalações, se divisam os ativos tóxicos e as práticas pouco recomendáveis que protagonizam.
À época, 2007, a situação dos bancos caraterizava-se já por vários problemas e, provavelmente, aceitaram de bom grado a criação de um novo mercado – o dos empréstimos de longo prazo a estudantes, com garantia do Estado. Não deixa de ser curioso que Sócrates tenha avançado com uma medida prevista desde 1997 - quando a conjuntura estava em alta - numa altura em que o desastre financeiro do Estado estava à vista. Aliás, Sócrates sublinha no lançamento da medida (1) que o negócio é para todos os bancos (afinal foram só oito) sabendo-se que a garantia do Estado dá aos bancos um risco como eles gostam, nulo.
Desde o início deste programa foram emprestados uns € 200 M a 16000 estudantes, sabendo-se que o incumprimento corresponde a um milhão de euros; o que não é muito, dado o volume do financiamento concedido (2)
O empréstimo serve principalmente para pagar propinas (86.3%), despesas diárias como transportes (48.4%), alimentação (46.7%) e alojamento (39.6%), de acordo com um inquérito realizado em 2010. (3)
2 - Para quem é o negócio?
Sem dúvida que para muitos estudantes este financiamento que, em cinco anos pode atingir € 25000, é uma oportunidade (única?) de frequentar e concluir licenciatura, mestrado, doutoramento, pós-graduação ou até participar do Programa Erasmus; sobretudo se se atender à quantidade de estudantes que teem vindo a abandonar os estudos por falta de trabalho próprio ou por dificuldades familiares. Por outro lado, a pressão para o endividamento ou para o abandono é acentuada pelos cortes na ação social, com novas regras de cálculo e que podem atingir cerca de 20000 estudantes.
A financiarização do acesso a um curso superior por parte de jovens provenientes de famílias sem grandes recursos revela a política global dos governos PS/PSD.
Apostado num modelo exportador alicerçado em baixos salários (“competitivos”) e em atividades pouco exigentes de qualificação técnica, o PS/PSD não está interessado numa massificação de competências técnicas e científicas, para não referir as que se baseiam em conhecimentos nas áreas sociais e artísticas. O PS/PSD encara o ensino superior público como um custo orçamental que é preciso conter e reduzir com medidas de “gestão” (encolhimento de curricula, despedimento de professores…) e o ensino superior privado como um negócio empresarial, cujos produtos servem um mercado acessível para quem tem dinheiro.
Apresentamos aqui o produto de um levantamento levado a cabo pelo Expresso, em 2010 relativamente ao financiamento de € 5000 para uma licenciatura a concluir em três anos, com mais um de carência após a sua conclusão, com o reembolso a efetuar nos quatro anos seguintes a esse período de carência. (4)
Texto publicado da edição do Expresso de 28 de Agosto de 2010
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