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27 de outubro de 2011

Democracia e prática democrática

Nota: texto escrito por Vitor Lima dirigido à plataforma 15 de Outubro após a manifestação desse dia.

Considero que é absolutamente necessária a discussão política interna e, para o efeito, avanço com alguns pontos de reflexão.

1 - Quem é ou deve ser membro de uma Plataforma cívica?

Desde o princípio acentuei que a Plataforma deve ser de pessoas e não essa coisa híbrida de pessoas e organizações. Sempre tive dúvidas de que o esquema das “organizações” subscritoras fosse uma mais valia para a ação e para a mobilização; e tenho a certeza que a adesão à manifestação em nada foi devida ao elenco dos subscritores.

Por outro lado, a referência aos subscritores como movimentos sempre foi pretensiosa e ridícula pois, na realidade, tratam-se de pequenos grupos mais ou menos isolados e com pouca notoriedade sobre os tais 99% que interessa mobilizar. Reparem que alguns desses grupos nem sequer apareceram (?) em reunião alguma. Por outro lado, a apresentação de pessoas como representantes de grupo suscita-me sérias dúvidas sobre se as posições assumidas foram objecto de discussão prévia dentro do respectivo grupo.

A indicação de pertença a este ou aquele grupo só a encaro relevante como elemento aferidor de capacidade de trazer mais gente. Fazer reuniões com pessoal dos grupos, como sucedeu inicialmente, não foi fácil, nem particularmente participado e favoreceu a protagonismos de provocadores.

Democracia só pode existir tendo pessoas como protagonistas e objecto; quaisquer formas de representações grupais em detrimento ou em paralelo são formas de “democracia orgânica” onde pululam cadeias hierárquicas de representantes rapidamente transformados em burocratas. O regime cleptocrático em que vivemos, entre outras coisas, baseia-se nisso e, se queremos construir alternativas, temos de apresentar diferenças; e promovê-las.

Portanto, para as tarefas necessárias devem escolher-se pessoas, na base da sua disponibilidade, das suas capacidades, sempre numa base de rotatividade.